Amamos o carnaval. São quatro dias em que todos “parecem” e “querem” ser livres.
Exorcizamos nossos berros nas baterias dos blocos – “Viver e não ter vergonha de ser feliz” ou ainda “Você pagou com traição a quem sempre te deu a mão”, nove entre dez sambas no circuito Rio de Janeiro, mantras cantados por mocinhas e mocinhos que ainda acreditam que a vida pode e deve ser assim.
E por que não?!
Gente que você nunca viu, muitos conhecidos, outros de longa data. Antigos amores com novos amores, recentes decepções que cismam em reaparecer, possíveis amores efêmeros. Lógico... É carnaval.
Velhinhos nas janelas saudando a juventude que desfila. Fantasias, máscaras, felicidade... Procura. Olhares se encontram, se desviam. Indiferença. Entre confetes e serpentinas alguns “caboclos” passam da linha e são rapidamente descartados, ou não.
Nessa festa “profana” [ ops!] Colombinas, Pierrôs e Arlequins se esbarram entre uma calçada e outra. O conto, que tem origem na Comédia Italiana, mostra a cruel escolha de uma Colombina entre um Pierrô sentimental, ingênuo e romântico e um Arlequim farsante e cômico.
A escolha entre um caminho constante e um amor profano e temporário.
Mas, meninas e meninos, leiam com atenção: o amor se compõe dos dois. Entre o beijo doce e duradouro, queremos o desejo e a aventura. Para o Arlequim, o corpo. Para o Pierrô, a alma. Para o primeiro o céu, para o segundo, a terra.
Nessa duplicidade, dizem que o desejo morreria se Arlequim e Pierrô fossem um ser somente. A gente não acredita nessa máxima.
Vale a dica: em todo Pierrô reside um Arlequim. E vice-e-versa.
N.B: Mas quem são eles? Personagens de um estilo teatral conhecido como Commedia dell’Arte, nascido na Itália do século XVI. Integrantes de uma trama cheia de sátira social, os três papéis representam serviçais envolvidos em um triângulo amoroso: Pierrô ama Colombina, que ama Arlequim, que, por sua vez, também deseja Colombina. O estilo surgiu como alternativa à chamada Commedia Erudita, de inspiração literária, que apresentava atores falando em latim, naquela época uma língua já inacessível à maioria das pessoas. Assim, a história do trio enamorado sempre foi um autêntico entretenimento popular, de origem influenciada pelas brincadeiras de Carnaval. Apresentadas nas ruas e praças das cidades italianas, as histórias encenadas ironizavam a vida e os costumes dos poderosos de então. Para isso, entravam em cena muitos outros personagens, além dos três mais famosos.
Não podia deixar de comentar um post que li hoje, no meio dos meus alfarrábios e indicado no Twitter por um de meus follows.
Tenho que admitir que mesmo amante das palavras, encontro certa dificuldade em desplugar e mudar a freqüência. Minha mente é hiperlinkada, os assuntos emendam uns com os outros e, ao final do dia, a realização por conseguir me manter imune ao barulho, as piadas sem graça e, por vezes maldosas, é fruto de muuuuuuuito treino.
Sou chamada “carinhosamente” de autista. Rótulos sacais...
Para quem não conhece Sophia, parte de mim e batizada pelo nome que tem certa história – isso fica para depois – saiba que ela sempre se imagina em uma bolha azul, impenetrável, que faz com que a sua concentração e foco ultrapassem os limites de sonorização e do papo besta [detesto papo inútil].
Semelhante aos filtros do Adwords e GA, Sophia, por amor pelo que resta de sua sanidade mental, consegue manter uma proteção auditiva e só ouvir o que realmente vale à pena [naquele momento, claro!]
Foi bom acessar o post "De como amei cada uma de vocês" do nosso colega blogueiro e teresinense , até então por nós desconhecido, que atende pelo nome de Pedro Jansen.
Mesclando sutileza e a racionalidade comum aos seres de três pernas [pf, aceite como um elogio] nosso desconhecido conseguiu definir carinhosamente que estamos todos na mesma “vibe” e que, bem ou mal, estamos com maturidade recriando a época do amor livre, o amor que existe enquanto dura, sem rótulos, gostoso, leve e que pode, ou não, ser só por hoje, só por cinco minutos... Mas que seja inteiro, intenso e seguindo naturalmente o seu rumo.
Identificação total. Demorei para perceber isso, mas a arte de ser inteiro deve existir independe do tempo e do momento existente.
Aproveitem o momento amigas. Que sejam eternos enquanto durem. Essa magia é o suficiente. O melhor que vocês podem oferecer um ao outro, são atitudes simples, porém intensas.
O amanhã? Fruto do hoje. Cansei de brincar de Nostradamus, por ora não desço pro play.
Vamos fluir por inteiro, seja por uma noite, duas semanas, cinqüenta anos. Com a certeza de que um capítulo do livro da sua vida deu certo, da maneira que tinha de ser e até onde tinha que dar.
Um tanto balzacas, um pouco lobas, com todo orgulho, medo, espanto, prazer, receio, paixões.... que só a maturidade e algumas aventuras a mais podem trazer.
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