quarta-feira, 22 de julho de 2009

Vai passar.

Sophia não tem passado muito por aqui… Não tem passado muito bem.

Pra falar a verdade, o passado tem incomodado bastante. Quando pouco madura, as dores e perdas eram como machucados de criança: superficiais, fruto de estripulias saudáveis e curadas com band-aids de personagens de contos de fadas. Nada que causasse uma lembrança presente.

Tudo vinha e passava...

Presente.

Nada divertido para compartilhar. Menos Polyana mais Nelson Rodrigues.
Momentos de introspecção, de solidão. Análise.

Lá de dentro do ventre ela tira luz para conseguir cumprir a etapa mais difícil.
Ao invés de olhar-se no espelho como faz todas as manhãs, ela vê. E mesmo não gostando muito, encara a cara da alma e enfim decide destruir para reconstruir.

É... Algumas escolhas precisam ser feitas para viver intensamente o momento.

Ao longe três passarinhos cantando: “You’re gonna find yourself somewhere, somehow”.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A fuga da Terra do Sempre



Que coisa, nosso último post nada tinha a ver com a NeverLand que ficou, desde a última quinta-feira, definitivamente conhecida como o reino projetado e pometido por MJ (que Deus o tenha).

[Naquela mesma quinta, 25 de junho, morria também, de câncer e ofuscada pela morte de Michael, a atriz Farrah Fawcett. Intérprete dA Pantera Jill, que marcou toda uma geração de hoje balzacas, que, além de Jills, queriam 'ser' Kellys e Sabrinas.

Mas, voltando à Terra do Nunca, o resgate das Wendys e Sininhos, que coabitam em toda mulher, deu lugar a uma tentativa de fuga da Terra do Sempre – fuga breve, quase fugaz, mas uma fuga, ainda que apenas por alguns dias.

Sempre atrasada. Sempre estressada. Sempre ocupada. Sempre pronta pra tomar alguma decisão. Sempre armada, sempre apressada, sempre cobrada - principalmente por si.

Microférias, diante desse quadro, acabam por dar uma pausa no 'sempre'. Um raro instante pra refletir no que temos feito com o nosso Tempo e Espaço - de mãe, de filha e irmã, de profissional, de amiga, de mulher...

Mas acabam. Amanhã a tal 'vida normal' continua. E entre o Sempre e o Nunca, a única certeza pela frente é de um Talvez.

Bora lá.

domingo, 7 de junho de 2009

A volta da Terra do Nunca


Acordei.

Entre um fechar e abrir de olhos finalmente descobri por que Peter e a sua legião dos meninos perdidos sempre me fascinaram. Descobrir não é necessariamente entender. Descobrir é mágico, entender é transformação.

Em transformação...

Na ausência de Peter, um menino perdido também valia. Mas Peter é o líder, com ele é mais fascinante. Junto dele... Liberdade. Peter mostra mundos distantes, aventuras nunca antes vividas, falta de compromisso, “Panis et circenses”.

E chega o dia que se quer mais do Peter. O que mais divertia agora mais angustia. E você aposta, mostra, conduz e - o pior - se sente forte e indispensável. Afinal, quem sabe das melhores escolhas? Você. Uma visão [distorcida] de força.

Todo Peter tem sua Wendy e sua Sininho. Com a primeira o amor é incondicional, quase materno. Com a segunda é impossível. Sininho é tão pequena... E some, e retorna e some de novo até nunca mais voltar.

Essa é a transformação. Fui e sou uma Wendy. Admito. Daquelas que abdicam e permanecem, esperando o dia em que seu Peter vai finalmente crescer, sem abandonar o que foi o estopim de um grande amor... A leveza, a brincadeira. E, aí sim, participar da mudança do menino em Rei, de braços abertos para levar a cansada Wendy em uma linda carruagem.

Cansada.

Na verdade Wendy e Sininho são dois lados de uma mesma mulher. A Sininho, antes Wendy, pode esperar por uma carruagem mágica, mas chega a hora que ela quer, assim como Peter, voar. As Sininhos também ficam e até acreditam na pseudomudança.

Fantásticas essas mulheres, detentoras do maravilhoso pó mágico que Peter usa para poder escapar e voltar para a Terra do Nunca.

Sininho quer espontaneidade, crescimento e adaptação mútua no relacionamento com um homem. E, mesmo atraída pelo descompromisso, ela rompe e busca novos voos sem entender muito bem porque aquele amor azedou e voa em busca da próxima aventura.

Uma vez tomada a decisão, a Sininho nunca volta.

Hoje, aprendo a voar.