quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

1. Tudo Novo de Novo - Paulinho Moska -

Tudo novo de novo

Nem adianta justificar a ausência. Não deu. Ponto.

Fim de ano. Todo aquele espírito comercial natalino que insiste em aflorar mal acaba o Dia das Crianças. Recuperação de filho, repetência, pagamento de mensalidade atrasada, renovação de matrícula, campanhas e mais campanhas de fim de ano, peru de natal, lombo de Réveillon, monta árvore, desmonta árvore... ufa. Nesse meio tempo, um novo ano começou.

2008. Um ano que explodiu em meio a tiros de fuzis – aqui do lado, Copacabana, onde a gente jogou nossas flores pra Iemanjá e pediu a bênção de todos os orixás.

Ano novo, resoluções novas [Tá, tá, muitas delas até são as mesmas: parar de fumar, voltar a malhar, economizar uma grana...]. Mas eis que dez dias do ano já se passaram. 2,4% de 365 dias – ah, não, 366, ano bissexto, ano de Olimpíadas [xi, na China; mais uma rodada de madrugadas em claro]. E o que a gente resolveu até agora?

Bem, Sophia tá namorando. Depois de um tempo sozinha [definitivamente foi difícil achar alguém que valesse à pena], sim, ela voltou a acreditar. A diferença? Sua natureza é assim, ela simplesmente se entrega – mas agora a maturidade a surpreende não permitindo cometer os mesmos erros. De vez em quando até comete. Afinal, ninguém muda de todo nessa vida, mas é bom aprender a perceber os sinais. E, depois de ter emagrecido e voltado ao peso e à medida de adolescente – a custas de um bocado de sofrimento, é verdade – ela se permitiu descuidar um pouquinho... até perceber o que toda balzaca deve perceber mais dia menos dia: depois dos 30 tudo, definitivamente tudo que você come duplica de tamanho. Mas não é que o ano começou – o dia 2, obviamente – com uma dieta radical? Sopa, pão integral... pelo menos até a próxima cerveja, que sempre acompanha o bom papo, o samba, o boteco. E embora algumas coisas continuem as mesmas – trabalho pra cacete e ex marido insano, por exemplo –, Sophia vem bravamente tentando se concentrar e promete que vai malhar e não assumir dívidas.

Bia..., bom, Bia tá prestes a entrar de férias – e portanto para essa o ano ainda não começou. Cá pra nós? Algum sentido em voltar a malhar uma semana antes das férias? Melhor pedalar até o Leblon, caminhar no calçadão, correr na areia (ai tá, menos! não é em 15 dias que você vai recuperar o tempo perdido e todas as muitas calorias de um ano inteirinho regado a chopp, cerveja, pizza, pastel... ih, chega que já ta dando fome). Mas, praia sem cerveja? Não rola. Fora que o carnaval taí. Cerveja pede cigarro... Ano novo, definitivamente, só depois do Carnaval! Mas sabe que a Bia já não é mais a mesma? Pelo menos, é o que ela vem jurando até hoje, desde (e olha que foi outro dia mesmo) que decidiu dar uma basta naquela história cíclica de um passado recente e abrir espaço para o novo. Tudo novo de novo? Bem, já é uma grande coisa pra quem não quer mais repetir tudo de novo.

Soninha... Lembram da Soninha? Virou a melhor amiga de Bia e de Sophia... Não lembramos se já falamos disso, mas Soninha se separou. Faz uns 5 meses que ela tá descobrindo uma vida completamente nova. Se bem que ela é quem deve completar isso aqui. [Soninha, manifeste-se!]

Mas e você? Já resolveu alguma das suas resoluções de ano novo?

Antes tarde do que nunca, feliz 2008 pra você.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Íntimo e pessoal

Tem meses que são foda! E é por isso que a gente ficou tanto tempo afastadas... Mas estamos aí – e aqui de novo – pro que der e vier.

E o que veio especialmente hoje pra Bia foi a experiência única de levar sua filha de 13 anos pela primeira vez ao ginecologista. Não por acaso, a primeira e única ginecologista que Bia teve na vida, e que botou a hoje aborrescente no mundo.

Na sala de espera do consultório ela se lembrou de quando, 21 anos atrás, sentiu aquele primeiro desconforto, imaginando como seria escancarar toda a sua intimidade pra uma mulher – que ela nunca sequer tinha visto [se bem que já ter visto ou conhecido não muda muito o estranhamento da situação.

Para os homens, que nunca passaram e obviamente nunca vão passar por isso, a coisa acontece mais ou menos assim: a gente recebe um avental e um chinelinho (será que é pra dar mais aconchego ao momento?) e deita numa maca com uns apoios para as pernas – um evidentemente a quilômetros de distância do outro – que nos coloca numa posição em que até a alma fica exposta. Aí vem o médico com um instrumento que mais parece de tortura medieval: o tal do bico de pato, que afasta tudo o que possa tapar a visão do colo uterino.

E aí... bem, chega de detalhes. O fato é que o processo é um bocado desconfortável. Mas como todo mundo tá cansado de saber que é um exame vital para a prevenção do câncer de colo de útero, é com essa certeza e consciência que pelo menos uma vez por ano a gente adentra a sala de espera de um consultório ginecológico. E bem, fecha parênteses].

Bia se lembra daquele misto de medo e orgulho que sentira num consultório não muito diferente daquele, ao constatar que não era mais uma menina, que já era capaz de gerar uma vida. E hoje, ali do lado daquela menina-mulher, gerada no seu próprio ventre, revive 21 anos de amor e sexualidade, que geraram não apenas uma, mas duas vidas. Um filme passa na sua cabeça: a primeira transa, cheia de desejo e ansiedade; a segunda, um pouco mais madura; a terceira, a quarta... as transas do casamento, as que geraram seus filhos; a redescoberta de um novo sexo, após a separação; a última transa, impulso de tesão...

A médica chama as duas, mãe e filha, para a consulta. E a filha decide que só quer conversar. “Só vou ser examinada quando eu perder a virgindade.”

Tudo bem... mas, quando vai ser isso? Daqui a um ano, dois, cinco... dez? “Dez não, né, mãe? Tá louca?”

E dá-lhe maturidade.