domingo, 30 de novembro de 2008

Torpedo na mão de bêbado é bomba.


Atire o primeiro gadget quem nunca, nunquinha, sacou o celular da(o) bolsa(o) no meio da madrugada, litros de álcool depois, pra mandar um:

- Saudades
- Perdeu
- Não te entendo
- Te adoro
- Precisamos conversar
- Te amo
- Te odeio
- ...

Se beber não digite.

Antes de abrir uma nova mensagem, vá ao banheiro. Você já bebeu o suficiente e certamente tá com vontade.
Se tiver fila – fato que vai ter, banheiro feminino é uma praga – concentre-se em contar quanto tempo cada mulher gasta fazendo xixi. (Já contamos: dá entre 35 e 50 segundos pras mais solidárias e conscientes de que há um batalhão de moças apertadas lá fora.)
Na volta, é bastante provável e compreensível que a vontade não tenha passado. Afinal, enquanto contava, observava a mulherada ajeitando a calcinha, o cabelo, o batom, os dentes... e ouvia o falatório (mulher sempre vai ao banheiro no mínimo em dupla, ô praga), você certamente elaborou mensagens mais poéticas, loucas, cifradas, putas...
Continue firme. Dê uma ocupação para os seus dedos torpedeando aquela sua amiga que ficou em casa puta da vida, mas que, boa amiga que é, vai entender que você tá numa pior. E se bobear vai até responder e dar uma força digital.
Continue mantendo seus dedos ocupados. Beba mais uma, fume mais um, descasque o que restou do esmalte da unha...
Mas se você não resistiu e deu send, ou, em bom português, enviou, tudo bem. Acontece nas melhores – e nas piores – famílias. Aconteceu com você. Virou machete. O que tava preso na garganta, ou melhor, na ponta de seus dedos, saiu. Falei, pronto.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Run Forest, Run.



Essa semana foi conturbada para Sophia. Não se pode contar nos dedos de uma só mão os dias em que ela teve um almoço descente ou um momento de relax. Tá faltando tempo pra você amiga.....

Aquele tempo só seu, nem que seja para passar aquele creme caseiro de açúcar com mel no rosto, colocar os pés em um balde de água com sal grosso e ficar horrorosaaaaaaaaaaaaaaa, pra depois de Fiona virar a princesa, nem que seja somente em estado de espírito.

Só para vocês terem uma idéia, uma mulher de 35 anos, mãe de dois filhos, executiva e metida à inteligente precisa ter certo aparato tecnológico, de serviços e relacional para dar conta de tudo em 24 horas. É, porque até mesmo dormindo a mente anda [ ou corre ] trabalhando.

Pra começar, em uma semana, foram 4 consultas médicas - duas para cada filho - que seriam impossíveis de ocorrer se não fosse a existência do taxista delivery, amigo de Sophia, que leva e traz os rebentos, cabendo à progenitora “apenas” estar no mesmo Batlocal e no mesmo Bathorário para fazer o acompanhamento que lhe é cabido. Depois, “o” ou “os” rebentos são despachados diretamente no veículo e entregues sãos e salvos em sua residência.

Otimização de tempo. Aparatos relacionais e de serviços.

Reuniões? Umas 6. Palestras e Networking 3. Diferentes locais, diferentes dias e, é claro, diferentes assuntos. A cabeça pira, mas ao mesmo tempo Sophia fica impressionada com a sua capacidade de hiperlink e de, ainda assim, ser completamente apaixonada por ter insights, por ouvir pessoas e por pensar fora da caixa.

Inovação. Renovação. Mente aberta.

Aparatos relacionais e, neste caso, tecnológicos porque Sophia não abre mão do seu celular super potente que conecta a internet, o twitter, o Orkut, o GMail, mas que devido a sua sabedoria financeira, a utilização só lhe é permitida em ambientes que tenham wireless. Em casa, notebook novo, webcam e aquela vontade louca de produzir, mesmo que o cansaço a dê por vencida.

Chegamos então ao que o cansaço mental e físico faz com uma balzaca. Coisas estranhas que só acontecem com Sophia. Voltando de uma destas reuniões e depois de uma consulta médica pra lá de diferente – Cinesiologia [depois a gente fala disso]- Sophia resolve voltar para casa com a sua amiga.

A questão: Barra da Tijuca, 18 horas.
Detalhe: Caiu uma árvore na Niemeyer.

A amiga consciente de Sophia até tenta persuadí-la a tomar um [ ou muitos ] chopes até que o trânsito acabe, mas a consciência materna pulou como uma pulga na cabeça de Sophia e ela teve – isso não é raro – a brilhante idéia de pegar um ônibus que fosse pelo Alto da Boa Vista.

Há algum tempo atrás o 234 era o número. E lá vamos nós. Dezenove horas de uma quinta-feira, alegres e sorridentes dentro do 234. Só que este Mercedes não vai mais pelo Alto. Há quanto tempo isso mudou? Ninguém sabe, ninguém viu. Só sei que Sophia e a sua amiga entraram em pânico. Duas horas de engarrafamento mostro combinado com chuvinha pinga-pinga e com aqueles vendedores de bala, chiclete e “caneta que dá choque” dentro do silencioso transporte urbano.

Tudo bem, né? Fazer o quê? Vamos papear. Acontece que a amiga da Sophia teve a estratosférica idéia de saltar na Lagoa: “Vambora, a gente anda só um pouquinho e pega o ônibus do metrô em Ipanema". Detalhe : destino final,Tijuca.

Fazer o que, né? Simbora.

Saem as duas do transporte coletivo e saltam na Lagoa. Legal, pelo menos a gente faz um exercício. O problema é que a amiga da Sophia, tão lesada quanto, saltou no lugar errado. Resultado: Fizemos de tudo um pouco. A partir de ontem Sophia e sua amiga conhecem todos os bares da Lagoa, todos os corredores, o estilo de corrida – uns correm pro lado, outros equilibram o peso, teve até um que fez Sophia gritar de susto porque corria que nem um cachorro latindo, blergh!Imagina transando, deve uivar.

Papo vem, papo vai e um casalzinho que sabe viver a vida tava lá correndo junto e de repente, na chuvinha fina ensaiaram uma dancinha de forró, com a Lagoa e a árvore de Natal como pano e fundo......ai que bonitinho.

- E aí amiga? Falta muito?
- Calma Sophia...só mais duas voltas.

Sophia pesquisou e descobriu a árvore genealógica da amiga. Repleta de parentes de Minas Gerais que têm por costume falar “falta um tantinho só, sô”.

Conversei, andei, malhei e ouvi o Cantagalo cantar – ainda bem!- e finalmente sentei e ri muito indo da última para a primeira estação do metrô com direito a uma baldeação da integração para enfim chegar em casa. Quatro horas depois........


Run Sophia, Run.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A comunidade



Faz algum tempo que ouvi uma frase um tanto quanto estereotipada que as vivências e postagens do Desbancando retratavam [por debaixo dos panos] “um bando de mulheres infelizes à busca por um amor eterno”.

Criar ou definir estereótipos em pleno 2008 pode até ser considerado imoral. Já dizia Clarice Lispector – “O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo”.

Quantas vezes estamos sozinhas, mesmo em um relacionamento? Abdicar-se de si mesmo em nome da felicidade e satisfação de outros não só traz sofrimento como a perda da identidade. Lembra das aulas de matemática? Pois é... Podemos definir que relacionamentos são núcleos de intercessão, não estão contidos um no outro.

Toda mulher, seja qual idade que tenha, busca sua felicidade. A eterna busca que pode estar – ou não – necessariamente em um homem. Ansiedade, estress, depressão, alegria, euforia, foco total, determinação, sonhos... Nossa!!! Quanta coisa a gente tem guardada dentro de cada um de nós. Não importa se temos entre 30 ou 40 anos, se somos mulheres, homens, gays, lésbicas ou simpatizantes.

Somos pessoas.
Pessoas que sempre procuram suprir as lacunas que nunca estão completas.

Vivemos em um mundo que cada vez mais se tem menos. Cada vez menos pessoas são classificadas por raça, sexo, idade ou quantas geladeiras se têm em casa. Cada qual quer ser único e, é óbvio, a tendência é que pessoas com vivências e pensamentos em comum formem um Kibutz.

Para quem não sabe, o Kibutz na comunidade judaica são pessoas reunidas para, entre outras coisas, educar as crianças. Voltamos a isso, aos filhos da sociedade. Afinal criamos os nossos filhos para o mundo.

Contamos com quem podemos, e o que descobrimos recentemente é a cumplicidade daqueles que passam pela mesma situação. A vida não é fácil. Quem mandou nego queimar a porra do sutiã [frase de uma sábia balzaquiana].

Ninguém precisa ser super-mulher ou super-homem, basta pedir socorro na hora certa. Para o que quer que seja não estamos sozinhos. Definitivamente não precisamos estar.

Estamos aqui, cada um ajudando do seu jeito, no que for preciso. Só é preciso lembrar das nossas necessidades, pois como seres humanos, não teremos nunca todas as respostas.

Foi a partir desta necessidade, deste Kibutz, que criamos o Desbancando Balzac. Um espaço para expressar em palavras, vivências comuns entre pessoas.

Sejam elas quem forem.

Como diriam nossos avós: "No fim tudo dá certo. Se não está certo, não chegou ao fim".