quarta-feira, 1 de julho de 2009

A fuga da Terra do Sempre



Que coisa, nosso último post nada tinha a ver com a NeverLand que ficou, desde a última quinta-feira, definitivamente conhecida como o reino projetado e pometido por MJ (que Deus o tenha).

[Naquela mesma quinta, 25 de junho, morria também, de câncer e ofuscada pela morte de Michael, a atriz Farrah Fawcett. Intérprete dA Pantera Jill, que marcou toda uma geração de hoje balzacas, que, além de Jills, queriam 'ser' Kellys e Sabrinas.

Mas, voltando à Terra do Nunca, o resgate das Wendys e Sininhos, que coabitam em toda mulher, deu lugar a uma tentativa de fuga da Terra do Sempre – fuga breve, quase fugaz, mas uma fuga, ainda que apenas por alguns dias.

Sempre atrasada. Sempre estressada. Sempre ocupada. Sempre pronta pra tomar alguma decisão. Sempre armada, sempre apressada, sempre cobrada - principalmente por si.

Microférias, diante desse quadro, acabam por dar uma pausa no 'sempre'. Um raro instante pra refletir no que temos feito com o nosso Tempo e Espaço - de mãe, de filha e irmã, de profissional, de amiga, de mulher...

Mas acabam. Amanhã a tal 'vida normal' continua. E entre o Sempre e o Nunca, a única certeza pela frente é de um Talvez.

Bora lá.

domingo, 7 de junho de 2009

A volta da Terra do Nunca


Acordei.

Entre um fechar e abrir de olhos finalmente descobri por que Peter e a sua legião dos meninos perdidos sempre me fascinaram. Descobrir não é necessariamente entender. Descobrir é mágico, entender é transformação.

Em transformação...

Na ausência de Peter, um menino perdido também valia. Mas Peter é o líder, com ele é mais fascinante. Junto dele... Liberdade. Peter mostra mundos distantes, aventuras nunca antes vividas, falta de compromisso, “Panis et circenses”.

E chega o dia que se quer mais do Peter. O que mais divertia agora mais angustia. E você aposta, mostra, conduz e - o pior - se sente forte e indispensável. Afinal, quem sabe das melhores escolhas? Você. Uma visão [distorcida] de força.

Todo Peter tem sua Wendy e sua Sininho. Com a primeira o amor é incondicional, quase materno. Com a segunda é impossível. Sininho é tão pequena... E some, e retorna e some de novo até nunca mais voltar.

Essa é a transformação. Fui e sou uma Wendy. Admito. Daquelas que abdicam e permanecem, esperando o dia em que seu Peter vai finalmente crescer, sem abandonar o que foi o estopim de um grande amor... A leveza, a brincadeira. E, aí sim, participar da mudança do menino em Rei, de braços abertos para levar a cansada Wendy em uma linda carruagem.

Cansada.

Na verdade Wendy e Sininho são dois lados de uma mesma mulher. A Sininho, antes Wendy, pode esperar por uma carruagem mágica, mas chega a hora que ela quer, assim como Peter, voar. As Sininhos também ficam e até acreditam na pseudomudança.

Fantásticas essas mulheres, detentoras do maravilhoso pó mágico que Peter usa para poder escapar e voltar para a Terra do Nunca.

Sininho quer espontaneidade, crescimento e adaptação mútua no relacionamento com um homem. E, mesmo atraída pelo descompromisso, ela rompe e busca novos voos sem entender muito bem porque aquele amor azedou e voa em busca da próxima aventura.

Uma vez tomada a decisão, a Sininho nunca volta.

Hoje, aprendo a voar.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Há 15 anos


Esse post está em construção. E em contração.

Há 15 anos, com pouco mais de 15 anos eu também, experimentava as dúvidas, angústias, sonhos e anseios vivos na barriga ainda prenha - 8 meses redondos de pura expectativa.

No céu, a lua eclipsada irradiava um lume contido, de quem espera a melhor hora pra brihar.

Ela não esperou. Ou melhor, ela sabia, já era hora de estrear.

A essa hora (a primeira meia-hora deste dia 25), preparava-me para dormir aquela que seria a última noite como apenas mulher. Em poucas horas, quando a lua enfim se despedisse do horizonte para o soberano astro reinar, eu me veria então como mãe, com todas as dúvidas, angústias, sonhos e anseios vivos naquele pequeno ser que acaba de chegar.