segunda-feira, 25 de maio de 2009

Há 15 anos


Esse post está em construção. E em contração.

Há 15 anos, com pouco mais de 15 anos eu também, experimentava as dúvidas, angústias, sonhos e anseios vivos na barriga ainda prenha - 8 meses redondos de pura expectativa.

No céu, a lua eclipsada irradiava um lume contido, de quem espera a melhor hora pra brihar.

Ela não esperou. Ou melhor, ela sabia, já era hora de estrear.

A essa hora (a primeira meia-hora deste dia 25), preparava-me para dormir aquela que seria a última noite como apenas mulher. Em poucas horas, quando a lua enfim se despedisse do horizonte para o soberano astro reinar, eu me veria então como mãe, com todas as dúvidas, angústias, sonhos e anseios vivos naquele pequeno ser que acaba de chegar.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Prenez Soin de Vous. (Cuide-se.)


Já falamos aqui sobre o que parece ser cada vez mais um sinal (ocupado) dos tempos. D.R. por e-mail, bate-boca por msn, ponto final via sms...

Covardia? Falta de respeito pelo que se viveu? Sem respostas, um dos maiores nomes da cena artística contemporânea, a francesa Sophie Calle recorreu a outras mais de cem mulheres – entre atrizes, cantoras, bailarinas, tarólogas, DJs, palhaças, advogadas e até sua mãe – para interpretarem, por ela, o grand finale.

‘Só chamei mulheres porque acho que essa carta não poderia ter sido mandada de um homem gay para outro, ou de uma lésbica para outra. É uma típica carta enviada de um homem para uma mulher’, explica Sophie.

O convite resultou na exposição que provocou polêmica na 52ª Bienal de Veneza, passou por Paris, Tóquio, Hong Kong, Munique e Nova York. E chega em julho ao Brasil, no SESC Pompéia, São Paulo, seguindo em setembro para o Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador.

Mas o melhor da história mesmo é que Sophie também vem para a Flip, onde dividirá a mesa ‘Entre Quatro Paredes’ com ninguém menos que o ex, o escritor francês Grégoire Bouillier. Será o primeiro encontro público dos dois.

...

‘Recebi uma carta de rompimento.
E não soube respondê-la.
Era como se ela não me fosse destinada.
Ela terminava com as seguintes palavras: Cuide de você.
Levei essa recomendação ao pé da letra.
Pedi a 107 mulheres, escolhidas de acordo com a profissão,
para interpretar a carta do ponto de vista profissional.
Analisá-la, comentá-la, dançá-la, cantá-la.
Esgotá-la. Entendê-la em meu lugar.
Responder por mim.
Uma maneira de ganhar tempo antes de romper.
Uma maneira de me cuidar.’
Sophie Calle


N.B.: Alguns registros da obra de Sophie:

Cuide de Você, de Sophie Calle, a São Paulo e Salvador

Sophie Calle ou surpresa das surpresas

Sophie Calle na Bienal de Veneza

domingo, 26 de abril de 2009

Reflexão

Nosso costume é diversificar os assuntos das postagens, mas ainda tenho tantas palavras dentro de mim sobre o Recaída que resumir a um comentário, seria no mínimo banal.

O post não trata de uma recaída em específico, mas das nossas recaídas internas, que não se restringem somente aos assuntos do coração. Elas podem representar a reflexão sobre a recorrência e sobre a forma que pilotamos nossos processos, o limite dos outros e até onde podemos ir.

A arrumação de todas as gavetas do armário que compõe a vida. A sua vida.

Admito. É impossível ser lua cheia o tempo todo. Estou na minguante. Acordei assim.

Quero liberdade para me permitir.
Quero o hábito da felicidade pela simplicidade.
Quero ser uma pessoa cada vez melhor. Não para alguém, sobretudo para mim.




N.B.: Há quem ame e odeie. Sem extremos,limito a dizer que Sophia curte Fernanda Young. Na nossa leitura dominical, sim no momento em que escrevo este post, recebi uma ligação da Bia [que fique claro, não são acontecimentos combinados, mas um dia ainda terei a resposta que justifique a tamanha sincronicidade entre eu – Sophia – e minha amiga, Bia ] e me limito a transcrever parte da coluna de Fernanda Young, na Revista O Globo de hoje....

“Será que, para escapar da dor, devo logo abraçar a euforia da simples alegria de viver, e sair cantando refrões tolos pela própria felicidade da tolice?
Não, obrigada. Prefiro o tédio total ao conformismo preguiçoso da solução pelo coletivo. Prefiro nunca mais ir a festas do que me embriagar da burrice que alivia. Mil vezes carregar na alma esse vazio, do que tentar moldar situações e pessoas, idiotas, que caibam por tempo limitado, nesse espaço vago. Que todos têm de nascença, ninguém escapa, pois, ora bolas, o que dói mesmo é ser sozinho no mundo, e isso é o que todos somos.(...)

(...)Enfim, e se me fosse ofertada a chance de não sofrer qualquer dor, aliviando os conflitos que a vida me trouxe, os amores que me largaram e deixaram mágoas tatuadas n’alma, e conseqüente solução para o tal buraco que n’alma é feito? Antes de aceitar, hesitaria, como um Hamlet desajeitado: caso seja através da lâmina fria de um punhal, o.k., mas se for para ficar anestesiada em meio ao coro dos contentes histéricos, jamais.
É preciso ter dor para ser feliz sem ser idiota”